Saiba como estão Rhanna, a garota que teve o braço quebrado numa boate em Natal há 4 anos atrás, e seu agressor Rômulo Lemos

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Na madrugada de 30 de Setembro de 2011 a estudante de Direito Rhanna Diógenes de 19 anos, teve o braço quebrado após recusar as investidas de um rapaz em uma casa noturna de Natal. Veja o vídeo das câmeras da boate que mostram o momento exato de como tudo aconteceu:

Poisé, percebendo claramente que havia feito uma desgraça o cara saiu de fininho, pagou a conta, e depois disso desapareceu, mas nem tanto. Em Abril de 2014 Rômulo foi mais uma vez acusado de agressão, desta vez um Engenheiro Civil da cidade de Camocim de São Félix – PE.

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Apelo criado na internet contra Rômulo Lemos no caso São Félix – PE (Fonte: Daniel Dantas Lemos)

Este caso da estudante Rhanna chocou a cidade e adquiriu forte repercussão no Rio Grande do Norte e no Brasil, rendendo matérias no ‘Fantástico’ e em vários outros jornais e sites locais.

“Estava conversando com minha amiga em um sofá, quando ele se aproximou e já tentou me beijar. Eu disse que não e me afastei. A partir daí, ele começou a me xingar com palavras que me recuso a repetir.” disse a estudante ao G1.

Depois disso Rhanna disse que foi para a pista de dança e foi aí que o terror começou:

“…ele apareceu de novo, tentando me beijar. Eu expliquei para ele que não o conhecia, que não era para ele fazer aquilo. Ele agarrou meu braço com muita força, como que se fosse me levar para outro lugar. Eu joguei o refrigerante nele e ele me empurrou pelo braço até o chão. Com um braço ele me empurrava para o chão e com o outro ele puxou o braço para cima. Só sei que a dor me fez ficar acordada, pois cheguei a desfalecer no chão. Era muita dor. Vi meu braço virado e só pensava em segurá-lo, meu braço ficou solto.” completou.

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Fotos da estudante na época (Fonte: G1)

Em entrevista ao G1 o advogado de Rhanna, Sanderson Mafra, disse ainda que Rômulo na época respondia a uma ação penal, de agressão, movida por sua ex-mulher e que após a repercussão do caso de Rhanna, a ex-namorada do agressor o procurou para informar que registrou dois boletins de ocorrência contra o ex-companheiro.

Nós fomos em busca da estudante que agora está com 22 anos, se tornou advogada e ainda mora em Natal-RN, para esclarecer o que a grande mídia não mostrou daquela época até agora. Confira como foi:

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Foto atual de Rhanna (Facebook)

Como está o processo contra o Rômulo Lemos atualmente?

Existem dois processos contra Romulo Lemos: um na esfera Cível e outro na Criminal. O da esfera Cível foi deferida liminar bloqueando patrimônio dele para garantir futura execução e está na fase de instrução. O da esfera criminal, foi concluído o laudo pericial com os quesitos da defesa, e está aguardando prazo para manifestação. Depois disso, haverá a audiência de instrução e sentença.

Que tipo de pena ele pegou?

“O processo ainda não foi julgado. Mas Rômulo Lemos foi julgado e condenado em outro processo criminal por agressão à ex-companheira, pegando dois anos de detenção.”

Quais foram as consequências físicas e psicológicas que você teve depois do acontecido?

As consequências físicas são sentidas diariamente, após ter sofrido a fratura dos dois ossos do antebraço direito (rádio e ulna), decorri em incapacidade permanente com a redução da mobilidade do membro afetado, ou seja, fiquei com déficit de força e de movimento para praticar minhas atividades, como montar minha égua, o jiu jitsu, até levantar uma jarra de suco, o que é altamente frustrante. Também, qualquer pancada é um incômodo devido a colocação das 4 placas de titânio e 16 pinos, tenho a impressão que fere de dentro para fora, o que gera uma verdadeira agonia. Tudo isso sem contar com o dano estético, devido as duas cicatrizes.

Já no que diz respeito as consequências psicológicas, não sei se é possível enumerar, uma vez que não implica somente a mim, mas sim a todos meus familiares, principalmente meus pais. De fato, acredito que qualquer pessoa que tenha sido vítima, gratuitamente, desse tipo de violência truculenta, não sai mais de casa “despreocupada”, pois a ansiedade de acontecer novamente é grande. No começo é fácil você se sentir culpada, perguntas do tipo “por que eu inventei de sair?” são frequentes. Eu costumo comparar os sentimentos causados pela violência contra a mulher, numa visão geral, com os 5 estágios da morte, quais seriam: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. No caso, se aplica bem, pois de fato o primeiro impulso momentâneo é a negação, você não quer acreditar que aquilo aconteceu, ou que foi de tal forma. Depois vem a raiva, e ela vem forte, ver seus amigos e familiares sofrerem, você pensa, por que eu? E aí eu troco a barganha pela culpa, no caso fatídico é muito comum as mulheres se sentirem culpadas, se responsabilizarem pelo ocorrido, de um jeito ou de outro, no meu caso, como muita gente gosta de dizer “se tivesse ficado em casa, nada disso teria ocorrido”, o que hoje me desperta certo repúdio, tendo a consciência da violência doméstica, aquela que muitas vezes ocorre dentro do próprio lar. As pessoas, não de forma unânime, se contemplam em transformar a vítima em algoz, senti isso na pele, elas de alguma forma tentam justificar uma atitude injustificável do agressor, o que é lastimável. Para mim, pessoas assim se tornam tão cruéis como as que praticam o ato. Em outras palavras, quem justifica um estupro, é estuprador, quem justifica um assassinato, é um assassino, quem justiça uma agressão, é um agressor, mesmo que de forma indireta, se torna, já que são coniventes. Depois da negação, raiva, culpa, realmente vem a depressão, como é triste vivenciar isso tudo, como é triste ver seus pais sofrerem por isso, só porque você tinha planos de sair e se divertir com amigos, como as coisas fogem do controle facilmente, é triste. Mas como já dizia o eterno mestre Chico Xavier, tudo passa, e aí, por fim, vem a aceitação, nesse grau encontramos forças para tomar as providencias necessárias, passar por cima de qualquer sentimento negativo, levantar e erguer a poeira mesmo, para que algo assim não se torne em vão e nem fique impune, e ai você começa a encarar a situação como outros olhos, eu, hoje, agradeço que foi comigo, e ter a oportunidade de ter sido instrumento para que a justiça seja feita, graças ao nosso bom Deus.

Enfim, se eu pudesse colocar em graus minhas consequências psicológicas acho que isso resumiu bem, o que passei por cada fase, até daqui pra frente, eu não sigo até hoje, porque algo assim a gente carrega pra sempre, ainda mais quando se tem essa cicatriz para lembrar e alguém que sempre vai perguntar: o que foi isso? Não dá pra fugir.”

Você tem alguma informação sobre ele, o que ele anda fazendo atualmente ou onde ele vive agora?

“Não possuo informações sobre ele desde à época do fato.”

 

DO BLOG:

O empresário também se envolveu em episódios de agressões à ex-esposa.
(Com informações de Blog do BG)

 

DO BLOG:

O empresário Pernambucano Rômulo Lemos foi morto por execução na noite de 21 de Setembro de 2016, em frente de um bar, na cidade de Camocim de São Félix, há 132 km de Recife. De acordo com a polícia, Rômulo estava no interior do estabelecimento quando foi surpreendido por uma dupla encapuzada que já chegou atirando.

Rômulo foi morto por volta das 23h, na rua Augusto Cemente e na frente de diversas pessoas.

As razões para o assassinato ainda são desconhecidas, porém algumas testemunhas, que peferem não se identificadas Rômulo tinha uma histórico de muitas brigas e discussões por questões políticas na cidade.

(Com informações de Blog do BG)

Pra você a justiça foi feita completamente?

“Ainda não, esse ano completará 4 anos, e tenho a certeza de que toda essa espera será válida, e a justiça deixará de ser um sonho e se tornará palpável. Trazendo, de alguma forma, esperança, não só a mim, mas todas as pessoas que estão descrentes com nossa justiça e acham que nunca vale a pena tomar as devidas providências, pois acreditam que não dará em nada. Como advogada e vítima, será uma emoção, e sensação de dever cumprido e página virada, quando a justiça de fato perfectibilizar-se.”

Que recado você deixa para as meninas no caso de elas serem abordadas por caras violentos como o Rômulo?

“Primeiramente, DENUNCIEM, isso é de suma importância, não permitam-se acreditar em hipótese alguma que “isso não dá em nada”, sejam firmes, não se sintam culpadas, vão atrás do seus direitos, acima de tudo como mulher. Direito sobre o seu corpo, de diz não e direito de ter respeitado o seu direito, jamais se submetendo a essa vassalagem, e aceitando esse comportamento que subjuga a posição da mulher.

A todas as mulheres que sofrem, já sofreram ou se sofrerem algum tipo de violência, seja no modo mais disfarçado, com palavras, olhares e toques, DENUNCIEM, procurem apoio de amigos e familiares, criem forças, se não por vocês mesmas, pela sociedade e por outras mulheres, e lembrem-se que acima de tudo o importante é fazer o seu papel de cidadã, afinal, o silencio das vitimas é o que causa da impunidade dos algozes, e até mesmo o incentivo para que eles voltem a cometer novamente agressões, morais e físicas.”

Pois bem, você leitor(a), não deixe que a violência contra você ou quem você conhece se banalize. Denuncie aqui!

Fontes: Notícias do RN, G1.

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