Entrevista com Renato Monte o fenômeno potiguar que é campeão mundial do nunchaku

Esta entrevista tem uma mistura de sonho, perseverança, talento e sucesso, o que faz desse cara um fenômeno impressionante.

Você tá ligado(a) o que é um nunchaku? Não? É essa parada aqui ó…

Nunchaku

O nunchaku ou, em português, matracas, é uma arma de artes marciais e consiste de dois bastões pequenos conectados em seus fins por uma corda ou corrente. Agora olha o que o natalense Renato Monte de 26 anos faz com ele…

Caramba ein! O cara é uma lenda viva do nunchaku! Tem até sites na China compartilhando vídeos assim dele. O Renato falou com a gente sobre como é ser um fenômeno nessa arte, veja agora:

Renato enorme satisfação em te conhecer, cara. Há quantos anos você pratica o nunchaku?

A primeira vez que dei uma praticada eu tinha 16 anos, tenho 26, ou seja, teoricamente tem 10 anos que eu já conheço a arma. Mas só considero o tempo de treino sério que tive de apenas aproximadamente 4 anos.

O que te levou ao nunchaku?

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Eu gostava do desenho Tartarugas Ninjas quando criança, hahaha. Meu personagem favorito era Michelângelo, o laranja com nunchakus, óbvio. De alguma forma, quando eu assistia ao desenho eu ficava pensando ” quando eu for grande eu vou aprender isso”.

Mas só quando eu estava mais ou menos com 16, que fui finalmente me tocar que eu já tava “grande” o suficiente e que tava na hora de ressuscitar essa vontade que eu tinha quando criança, comprar um nunchaku e aprender.

Que sites famosos do Brasil e do mundo já falaram sobre você?

Honestamente não sei nem dizer, mas foram muitos. Não me importo muito com isso. Mas sei dizer que fui mais falado fora do que dentro do país. Os sites chineses cobrem mais o nunchaku do que os do ocidente, mas são difíceis de acessar e de achar o conteúdo.

Na mídia local do estado o único veículo que lembro que me deu destaque na época foi o Novo Jornal que publicou uma matéria de capa que gostei muito, quando eu ganhei o mundial.

Lembro que meu vídeo apareceu no site oficial da Heineken, quando venci o ” The Odyssey” que era uma espécie de concursos de talentos baseado em uma propaganda deles.

E como é o seu treino?

Praticava em casa, as vezes em praças, geralmente uma hora por dia, todos os dias, de maneira autodidata. Tiveram períodos que pratiquei 2 a 3 horas, mas não foram longos. Como a parte que eu me dediquei é o estilo livre, o mais importante pra mim do que a prática de fato, é a criação de novos truques, então eu levava mais tempo pensando em maneiras de fazer algo que ninguém nunca fez do que movimentando o nunchaku com meu corpo, o que pode parecer super estranho para quem escuta sem ter visto como são geralmente os videos do esporte.

Na minha visão nunchaku sempre foi um esporte muito mais teórico do que prático. O que está em jogo de fato são as ideias inovadoras que cada um tem bem mais do que a sua execução, embora conseguir a execução seja necessária para conseguir exteriorizar essas ideias.

O que acontece em campeonatos, é que se eu mostro algo que ninguém nunca viu sendo realizado, mesmo que seja relativamente fácil de executar, isso conta muito mais pontos para quem pratica a arte do que mostrar algo super difícil que todos já cansaram os olhos de tanto assistir praticantes fazerem.

Pra quais lugares você já viajou para mostrar sua habilidade?

Nunca viajei para fazer demonstrações e nem pretendo até esse momento. Sempre me chamam para os campeonatos internacionais e mundiais que acontecem mundo afora, eu não tenho grande vontade de participar, porque sinto que o que eu tinha para mostrar já foi mostrado pelos meus videos.

A maior parte dos ídolos que me motivaram a treinar também não são de fazer demonstrações por incrível que pareça… São pessoas que treinam sozinhas e treinam pela arte. Eu também não gosto muito do esquema que são feito esses campeonatos “mundiais” ,alguns dão participantes de apenas de quatro a seis países, e já levam o título de mundial…  Mundial de onde isso? hahaha.

A maioria até hoje aconteceu na França ou Holanda, que são países fortes no nunchaku. Não é de se estranhar que geralmente o vencedor seja do país que sedie o campeonato. Infelizmente pela falta de premiação e o alto custo das viagens, pouca gente se interessa por exemplo em sair dos Estados Unidos, Russia, ou China para ir para Europa participar de um campeonato desses que mesmo sendo vencedor, oferece quase nenhum retorno do custo.

Já me convidaram para o maior festival de arte marcial do mundo, o Paris Bercy, que tem uma estrutura fenomenal e sempre oferece uma “homenagem a Bruce Lee” com apresentações de quatro atletas, mas o custeio é todo por minha parte, tirando a hospedagem que eles oferecem, eu não faria esse esforço todo apenas para tal.

Já enviei um vídeo para o programa “Se Vira nos 30” do Faustão também de tanto que me insistiram fazer isso, quatro meses depois me foram me dar a resposta que eu tinha sido selecionado para participar, mas nesse tempo eu já havia mudado de ideia e não quis ir mais.

No final de semana seguinte já estava passando lá na TV um substituto que eles conseguiram, um praticante de Kung Fu que fez apresentação com nunchakus.

 

Impressionante mesmo Renato, parabéns! Você manda muito bem meu chapa. Para ver os vídeos dele acesse aqui aqui.

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