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Esta gravura é intitulada “Fluvius Grandis”, do impressor escocês John Ogilby (1671). Ogilby utilizou como base de sua composição a gravura de outro impressor alemão, Arnoldus Montanus, que por sua vez baserara-se na gravura de Franz Post. Foto de: Lemnisco Livros Colecionáveis

Parece que quanto mais o tempo passa mais o Rio Grande do Norte tem histórias curiosas pra contar.

Você provavelmente já sabe que a sua capital Natal foi fundada em 25 de Dezembro (dia de Natal, claro) de 1599, mas aqui estão fatos bem curiosos ocorridos após a cidade ser criada que você certamente não sabia.

Pra começar, dois cruzeiros (demarcações) indicavam a área onde deveria surgir a cidade. Um na Praça das Flores (bairro de Petrópolis) e outro na Praça da Santa Cruz da Bica. Entre eles: 878 metros.

Depois de criada, veja o que aconteceu…

1. Era 1601, e era preciso povoar a nova cidade

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Praça André de Albuquerque. Este foi o local onde, segundo historiadores, foi celebrada uma missa após a fundação de Natal. Foto: TOK de História

E pra tentar chamar o povo para ela o capitão-mor e bombardeiro do Forte dos Reis Magos, João Rodrigues Colaço, ofereceu parte de sua área como dote de uma jovem chamada Izabel Alvares. Ele casou com a moça com o compromisso de povoar a área em três anos. Um ano depois do casamento, abandonou o terreno e disse que era “terra não proveitosa”.

2. Nove anos se passaram… e nada de povo!

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O que fez o governador Geral do Brasil, Diogo de Meneses, escrever para o rei de Portugal em 4 de Dezembro, informando que no Rio Grande “a povoação que está feita não tem gente”.

3. Então 6 anos se passaram e apenas 12 casas surgiram

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Em 1614 a nova cidade chamada Natal tinha apenas um total de 12 casas erguidas na área entre seus dois cruzeiros.

4. Chegando em 1631, a igreja matriz era a principal construção da cidade

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Igreja da Matriz, no centro da cidade, meados do século XX. Foto: TOK de História

E embora fosse uma construção bem humilde, ela era o ponto de encontro dos que viviam em sítios ao redor de Natal, e movimentava a pequena comunidade aos Domingos. Os livros de história apontam existir 60 casas entre os dois cruzeiros na época.

5. Nos anos que se seguiram Natal parecia ser cidade “apenas no nome”

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Escritor Câmara Cascudo

Em 1633 o maior escritor da história da cidade, Câmara Cascudo, descreve que os 34 primeiros anos da cidade foram “lentos, difíceis e paupérrimos” e que Natal era “cidade apenas no nome”.

6. O século virou e haviam 300 casas

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Cidade de Natal no ínicio do século XX

Em 1722 o Capital-Mor Pereira da Fonseca calculava a cidade com trezentas casas.

7. Mais de 147 anos depois ainda tava difícil de Natal virar cidade

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Luís de Santa Teresa da Cruz Salgado de Castilho O.C.D. (25 de março de 1692 — 17 de novembro de 1757) foi um prelado português, bispo de Olinda.

Em 1746 o Bispo de Olinda, Dom Frei Luiz de Santa Teresa relata que a cidade “de tão pequena que além do título de Cidade, Igreja Paroquial e poucas casas, nada tem que represente a forma de cidade”.

8. Chegou o ano de 1777 e com ele a cidade recebeu seus limites

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Desenho de Natal em 1633

Naquele ano o ‘Ouvidor da Paraíba’ descreveu os limites da cidade. Nessa época, um retângulo de 800 por 110 metros, limitados: cruzeiro da antiga Rua da Cruz (norte); cruzeiro do córrego do Baldo (sul); Rua da Conceição (leste); e rua que margeava as praças André de Albuquerque e João Tibúrcio (oeste).

9. Já em 1805 foi feito o primeiro censo populacional da cidade: 6.393 pessoas

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O primeiro mapa da população tem data de 31 de Dezembro de 1805. Havia 6.393 pessoas vivendo em Natal. Três anos depois, com um novo censo, foi visto que a cidade tinha 1.484 pessoas a menos. Não há explicação na história para essa diferença.

10. Cinco anos depois, além das mortes naturais, as pessoas morriam por tiro e por cobra

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Em 1810 o censo mostra população de 5.977 pessoas. Causas de morte (além das naturais), duas: tiro e cobra cascavel.

Que histórias, hein?! Tem mais coisa que eu não sabia aqui do que naquelas 9 super curiosidades de Natal-RN que poucos sabem

Fonte: Tribuna do Norte e TOK de História

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Escrito por Fernando Alves

Trabalha como webdesigner e é dono do grupo Empregos RN, como hobby gosta de andar de bicicleta, ver filmes e tomar uma boa cerveja.

13 comentários

  1. Só uma correção. De acordo com o História Natalense, do Olavo de Medeiros Filho, e os outros clássicos, o documento citado do capitão-mor José Pereira da Fonseca relata na verdade que eram míseras 30 casas na cidade do Natal, e não 300 (quem dera fosse tudo isso, kkk). Já em 1726, João da Maia da Gama, governador do Maranhão, em visita à Natal, contabilizou 50 a 60 casas na cidade. E, em 1756, o ouvidor da Paraíba, Domingos Monteiro da Rocha, afirmou serem 118 casas na cidade do Natal.

    Fontes: Documentação transcrita por Olavo de Medeiros Filho e presente em MEDEIROS FILHO, Olavo de. Terra Natalense. Natal, Fundação José Augusto, 1991.;Cartas régias sobre a Capitania do Rio Grande do Norte, de 1671 a 1722 (I a XLIX), p. 175; OLIVEIRA MARTINS, F. A. – Um Herói Esquecido (João da Maia da Gama), 2º vol, p. 95; Relação de toda a extensão desta capitania do Rio Grande do Norte e suas divisas, freguesias, povoações, rios assim navegáveis como inavegáveis que nela se contém.

  2. Boas histórias de minha querida cidade, onde foi nascer.

    . . . e tenho saudades do tempo que eu estudava no Instituto Batista do Natal, no Bairro Vermelho, quem era diretor era o saudoso Professor Gabino Brelais.

  3. Em uma reportagem da Tribuna do Norte, Joaquim Crispiniano falou que tinha “a informação que o primeiro confronto armado entre os holandeses e os natalenses da época aconteceu ali próximo a Santa Cruz” (Santa Cruz da Bica).

  4. Muito legal, gosto de Natal cada vez mais, influenciado por suas informações.Gostaria de ver alguma coisa da época dos holandeses, obrigado.

  5. Venho acompanhando este excelente site desde que o descobri na internet. Minha mãe, natural de Ceará-Mirim, morou em Natal na adolescência antes de fixar-se no Rio de Janeiro onde nasci de pai grego. Na infância e adolescência passava as férias escolares nesta cidade acolhedora e maravilhosa que aprendi a amar. Há muitos anos estou ausente e a única maneira de acompanhar as transformações por que passou a cidade são fotos e sites como este. Parabéns!

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