12 fatos curiosos sobre a chegada do rádio ao Rio Grande do Norte

Essa história até quem não entende nada de rádio vai gostar.

Tudo começou em 1939 quando Natal tinha uma população com cerca de 50 mil habitantes

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Rua do Comércio, Ribeira, Natal – início dos anos 40

Naquele ano a cidade tinha apenas amplificadores de som (as chamadas divulgadoras), que estavam espalhados pelas ruas e praças da cidade transmitindo músicas, dramas e notícias para a população.

Na cidade existia apenas uma “emissora” chamada Agência Pernambucana

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Bondes no cruzamento da avenida Duque de Caxias com Tavares de Lyra entre 1941 e 1942. Foto: Revista Life

Da qual a sede se localizava na Avenida Tavares de Lira no bairro da Ribeira. Esta rádio pertencia à Luís Romão de Almeida, e tinha uns 22 alto-falantes espalhados pelas cidade.

Além da programação comum, havia jornais falados, com notícias da Segunda Guerra em que Natal participou apoiando os EUA

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Presidente Roosevelt dos EUA visitando a base aérea militar americana em Parnamirim na época da 2ª Guerra Mundial

As notícias davam conta da movimentação provocada pelas operações militares ligadas à grande guerra.

Já nos anos 40 a Rádio Educadora de Natal (“REN”) foi fundada por um homem chamado Carlos Farache

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Foto: Radio RCA (1942) superheterodino, 5 válvulas, 3 faixas de ondas médias e curtas, alto-falante de 5′ e caixa de baquelite.

E em Dezembro de 1940 foi instalada sua torre para melhorar as transmissões, porém somente em 30 de Novembro do ano seguinte é que a rádio foi levada ao ar, com o prefixo ZYB-5.

O radialista Genar Wanderley foi quem primeiro ocupou o microfone, lendo Ave Maria escrita por Luís da Câmara Cascudo em solenidade de inauguração.

Mas depois a REN se tornou Rádio Poti

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Fonte: Suplemento Nós do RN. A República, Setembro de 2005.

Este foi o nome definitivo da emissora a partir de sua incorporação aos Diários Associados em 16 de Fevereiro de 1944.

A mudança aconteceu porque todas as emissoras associadas à REN representavam tabas indígenas características do Estado onde estavam localizadas. Tupi, Tamandaré, Farroupilha, Tamoio, Poti, etc. seus diretores eram conhecidos como “caciques”, e o “cacique” da Rádio Poti era o próprio Genar Wanderley.

A partir daí a rádio virou berço profissional de muita gente

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Doutor Januário Cicco – Vice-presidente da primeira emissora do RN – Rádio Educadora (REN)

Quase todos os profissionais que trabalhavam em Rádio na década de 40 e 50 no Rio Grande do Norte saíram de lá.

Nomes consagrados nacionalmente ficaram conhecidos por causa dos programas de auditório da Rádio Poti

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Aguinaldo Rayol no elenco da Rádio Poty AM (Natal)

Como é o caso do mito Agnaldo Rayol.

Aliás os programas de auditório eram muitos disputados pela “juventude” da época e faziam um enorme sucesso

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Programa de auditório na Radio Nacional durante os anos 50

Programas como Domingo Alegre, criado pelo próprio diretor da emissora, Vesperado dos Brotinhos, comandado por Luís de Cordeiro. A Estrela Canta, por Glorinha de Oliveira, Alegria na Taba, por Vanildo Nunes, Sabatina da Alegria, por Ruy Ricardo, e Turbilhão de novidades, por Edmilson Andrade.

Mas a grande audiência era mesmo das radionovelas

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Elenco da radionovela Rosa de Sangue (1943) que foi um sucesso brasileiro

Algumas eram feitas ao vivo contando com a participação de vários atores norte-rio-grandenses.

“Todos eram muito unidos chorávamos de verdade, quando o papel necessitava de emoção, quando não, fingiam. Era um por todos e todos por um. Atualmente as pessoas do meio artístico não são mais unidas, se puderem puxar o tapete uma das outras, elas puxam” – afirmava a radialista Glorinha de Oliveira.

E depois da Rádio Poti…

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Ex governador Dinarte Mariz (RN)

Surgiram a Rádio Nordeste, fundada em 1954 pelo ex-Governador Dinarte Mariz, a Rádio Cabugi, fundada em dezembro do mesmo ano pelo Senador Giorgino Avelino, e, posteriormente, vieram às emissoras, Difusora de Mossoró, de educação Rural de Natal, Mossoró e Caíco, Rádio Trairi.

E foi a Rádio Cabugi que teve a primeira locutora mulher do Rio Grande do Norte

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Foto ilustração

Chamada Gilvanise Moreira.

E o que dizer desta outra locutora mulher que para poder trabalhar naquela época inventou um nome falso?

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Numa sociedade machista como a que concretizou o Brasil, até bem pouco tempo a mulher sempre foi mantida em segundo plano. Na “família ideal” ela era submissa ao homem, e os deveres que a cercavam eram muitos, mas direitos essenciais como o de trabalhar fora do lar eram praticamente nenhum.

Foi o caso da Eunice Campos, que em depoimento gravado no dia 15 de novembro de 2000, afirma que, ao ser convidada para trabalhar na Rádio Poti, no início dos anos cinqüenta, passou a usar o pseudônimo de Sandra Maria para que seu pai não descobrisse e a proibisse de trabalhar.

“Quando ingressei na rádio, o preconceito era muito grande, o meu pai só veio saber uns seis meses depois”, dizia Eunice. Que história pra filme essa!

Se você gostou não deixe de ver: 17 curiosidades sobre a vida boêmia de Natal no início dos anos 40

Fonte: texto de José Eduardo Vilar Cunha reproduzido por Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto via Natal de Ontem

 

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