A polêmica história do churrasco de carne de jumento ocorrido no Rio Grande do Norte

Aconteceu em Apodi, cidade que fica a 341 km de Natal. O promotor Silvio Brito, então representante do Ministério Público, iniciou um projeto em colaboração com as polícias rodoviárias federal e estadual.

Ele queria recolher os jumentos que circulavam soltos pelas rodovias do Rio Grande do Norte, abandonados por se tornarem obsoletos como meio de transporte no sertão (normalmente substituídos por motos).

Foto: Michel Filho/ Agência O Globo

Os animais haviam se tornado um problema de trânsito no sertão potiguar porque vinham causando acidentes e mortes, e a manutenção deles, além de ter um custo, se tornaria inviável em breve por falta de espaço.

Diante do problema, o promotor buscou ajuda de especialistas e recebeu garantias de que a melhor solução encontrada era o abate para consumo do jumento.

Foi então que ele teve uma ideia: oferecer um almoço com churrasco para as autoridades de Apodi, só que com um diferencial no cardápio: a carne de jumento.

“Queremos mostrar às pessoas que a carne do jumento pode ser uma importante fonte nutricional, com elevado teor de proteína, baixo teor de gordura, macia e com gosto idêntico a do boi. Só que ela hoje é totalmente desprezada por questões culturais”, disse Brito.

Dentre os convidados para o tal churrasco estavam juízes, promotores, prefeitos, vereadores, jornalistas, professores e até o padre da cidade. O público mais seleto era para dar confiança à população.

Na foto: os convidados no dia do evento

“O almoço é para que todos fiquem sabendo que a carna é própria para consumo. Até o padre, sensibilizado com a situação, virá para desmistificar a questão religiosa”, completou o promotor.

Dois animais foram abatidos e o almoço aconteceu em um restaurante particular de Apodi. Na ocasião uma brincadeira foi lançada: foram servidos pratos com os dois tipos de carne (boi e jumento), e foi pedido para que os presentes adivinhassem qual animal estavam comendo.

Na foto: convidados servindo-se no evento

“É uma degustação comparativa, colocando lado a lado e assim vermos quem consegue identificar a diferença entre boi e jumento. Acredito que ninguém vai acertar”, apostou o promotor Brito.

Segundo uma veterinária e um professor de inspeção da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), a carne do jumento é saudável e segura como qualquer carne para consumo humano.

O resultado desta experiência lúdica foi que, com mais de 200 convidados, o almoço foi considerado um sucesso pelo anfitrião.

Entre os presentes, a opinião de que a carne de jumento é semelhante à de gado foi quase unânime, principalmente a que foi servida como churrasco.

Além da carne assada na brasa, várias outras receitas foram oferecidas aos convidados. Escondidinho, bife ao molho madeira e outro ao molho branco também fizeram parte do menu.

A intenção do promotor com o evento foi de introduzir a carne de jumento na alimentação de presidiários do RN.

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Fonte: UOL e 190

 

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