Ela foi provavelmente a mulher mais cruel do RN

Esta história daria até um filme…

O Engenho Cunhaú foi o primeiro engenho de açúcar da capitania do Rio Grande, que capitaneada por André de Albuquerque Maranhão, vindo a se tornar em meados de 1630 o principal núcleo econômico da Capitania.

O local abrigava entre 60 e 70 homens com suas respectivas famílias, e durante o período do domínio holandês foi confiscado da família Albuquerque Maranhão, passando às mãos de diversos proprietários.

Após a expulsão dos holandeses, o engenho voltou para o domínio da família, e com ela permaneceu até o século XX, se configurando uma verdadeira Casa Hereditária através das várias gerações que ali passaram.

Mas o que pouca gente sabe é que entre os membros da família Maranhão existiu uma polêmica senhora conhecida por todos da região, da qual o povo contava histórias bem bizarras: a Maria Cunhaú.

Maria Cunhaú e seus escravos domésticos

Os fatos são relatados em livros do historiador e folclorista Luiz da Câmara Cascudo, que era fã dessa família, e repetiu as mesmas palavras que ouviu dos populares da época.

Maria Cunhaú era sobrinha de André de Albuquerque, capitão do Rio Grande, de quem herdou o engenho Outeiro, e vivia de brigas com o seu irmão, Dendé Arcoverde, herdeiro das fortunas do Cunhaú.

Ela era uma mulher extremamente orgulhosa. Conta-se que ela não vestia a mesma roupa duas vezes e vivia com os melindres de uma princesa entediada em sua casa-grande.

Era lá que ela judiava dos seus escravos domésticos por pura diversão. Também não permitia que os seus escravos passassem se quer por perto de sua macabra cozinha.

Sem nunca ter casado, ela foi envelhecendo praticamente sem preocupações na vida. Suas preocupações eram praticamente comer e dormir sem incômodos.

Conta-se que em suas viagens curtas por seus domínios, seu cocheiro apanhava mais que os cavalos que puxavam a charrete.

Dendé seu irmão afirmava que ela era louca e não tinha condições de administrar a propriedade que possuía, por isso pediu na justiça o direito de posse sobre as terras da irmã. O caso fez com ela ficasse mais perturbada ainda.

Maria gostava de mandar e de ser rapidamente atendida, por isso, morria de medo de perder as terras que possuía.

Quando lembrava que podia perder tudo, ela se desesperava, e seus escravos eram quem que sofriam as consequências de sua agonia toda, ficando com marcas permanentes no corpo. Todos eles  – os escravos – possuíam sinais claros de torturas.

Também dizem que ela deixava os escravos pregados pelas orelhas no portão de trás do casarão, e que gritava esbaforada por eles na varanda da frente.

Maria ficava enlouquecida com a sua situação, mas nem seu advogado conseguia reverter o processo de perda das terras para o seu irmão, pois, no século XIX uma mulher solteira não tinha muitas chances nos tribunais machistas e opressores.

O seu advogado era Amaro Cavalcanti, um jovem muito talentoso na política, mas que vivia plenamente a situação de sua cliente se agravar nos tribunais.

Ele entendia bem do Direito e sabia perfeitamente que a velha perderia as terras para o irmão. Por esse motivo, ele fez um último e admirável esforço para reverter toda a situação: foi até o engenho Outeiro e se ofereceu em casamento para Maria.

Instalações já desativadas do Engenho Cunhaú

Ele convenceu-lhe que assim ficaria como tutor legítimo dela e que, só assim, salvaria suas posses.  Ela teria aceitado imediatamente, mas o casamento só aconteceria se fosse dentro de um acordo simples: ele seria um marido sem exercer as funções nupciais.

Mas a coisa não foi bem do jeito que ela pensou, e ela se envolveu profundamente com o rapaz, rendendo-se ao charme do mesmo, a ponto de morrer de ciúmes e fazer sofrer as escravas jovens quando desconfiava das intenções delas com o ele. Maria chegou a quebrar os dentes das escravas coitadas para que não atraíssem o olhar do seu novo príncipe.

Ela também chegou a marcar com ferro em brasa o rosto de cada uma das jovens, para “arrancar-lhe a beleza”.
Em seu ócio improdutivo, Maria ficava brincando com dinheiro velho, suas moedas carcomidas pelo tempo.

O advogado nunca morou com ela. Apenas esperou, pacientemente, seu falecimento para herdar a propriedade. Depois que ela não mais existia foi embora para morar com outra mulher na capital do império, onde viveu como um verdadeiro príncipe.

É Maria, definitivamente você não merece entrar naquela lista das 10 mulheres potiguares que fizeram história

Fonte: sociólogo Francisco Galvão

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