Professora escreve um desabafo épico para o governador do RN

Professora Séfora Cavalcante

A professora natalense Séfora Cavalcante, que já foi autora de uma carta polêmica para um vereador, escreveu mais uma carta, desta vez destinada ao governador do Rio Grande do Norte, em profunda revolta com a segurança do Estado.

A carta, que foi publicada no Facebook da professora, está sendo chamada nos comentários de “desabafo da população do RN”, e até o momento já junta quase 600 curtidas. Veja na íntegra:

“CARTA ABERTA AO SENHOR (DES)GOVERNADOR DA (IN)SEGURANÇA ROBINSON FARIA, MAS NÃO FEZ

Vossa excelência, pelo menos é assim que consta no Manual de Redação da Presidência da República quanto ao vocativo o qual deve ser utilizado para seu cargo, porém, estou a refletir no valor real de “excelência”. Se conseguir, pense comigo! Excelência em quê? Na prática de crimes de organização criminosa? Na excelência em criar funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa do RN? Ou quem sabe na excelência em proporcionar mais insegurança ainda neste estado e ainda desviar a sua responsabilidade e tangenciá-la para a mídia. O que, realmente, o senhor está pensando que somos? Fantoches? Fantasmas? O que é preciso mais acontecer para que a sua pessoa perceba que o seu tempo acabou e que saneamento não nos impede de enxergar e sentir que corremos riscos a toda hora e nada de concreto nem de efetivo está sendo feito no seu (des)governo. Já experimentou solicitar ajuda? Assumir que não é um super-herói!

Quanto a nós, cidadãos do RN, os que tenham votado ou não na sua pessoa, assistem ao noticiário, e em nenhum momento passa pelas nossas cabeças que a “sensação de insegurança” (FARIA, Robinson) seja causada pela imprensa, pois, saiba que não há sensação nenhuma, é realidade, nua e crua, com sangue e lágrimas, com perdas e desabafos. Esses se fossem lidos pelo senhor, ou ouvidos, devido ao clamor da ira que nos acomete, vossa excelência já teria pegado… “preciso esclarecer, a professora em mim se sobressalta: é assim, escrito assim mesmo, é o particípio do verbo Pegar formando a locução com o verbo Ter)”, então, voltemos, teria PEGADO o banquinho e saído de fininho. Mas se esconde e expõe publicamente sua esposa, aquela, mãe de seus filhos, que foi criticada no seu lugar, belo exemplo esse seu!

Quando o senhor acompanha as redes sociais não se sente incomodado, não? Não se tece elogios a sua pessoa, já percebeu? Não há nenhuma inauguração de Hospital em São Tomé que encubra a sua total incapacidade em governar este estado. Mas sei também que aqueles que estão do seu lado, creio que poucos e envergonhados no momento, alegaram que o senhor foi eleito pelo voto popular, e é verdade. No entanto, por falta de opção, falo isso em meu nome, entre o senhor e o seu adversário do segundo turno, preferi a dor ao desespero. Mas agora os sentimentos se misturaram, e não se sabe mais o que viria de quem, só sei que não há como superar essa falta de compromisso, essas denúncias, essa falta de respeito com os servidores públicos, os quais prestam serviços à população, mas não recebem seus salários dignamente.

Desgovernador, mas, dinheiro para comprar ou pelo menos tentar comprar, até que se prove o contrário, o silêncio de um delator da operação Dama de Espadas, segundo a mídia jornalística, sobre a contratação de funcionários fantasmas na Assembleia, ah! Isso tem! Todavia, mais uma vez, deve ser “sensação” de irresponsável que a mídia está passando para nós, o senhor não é assim, a culpa é da mídia, e tudo se esclarecerá no final, tal qual “House of Cards”, aquela série, maravilhosa, sobre o Brasil. Sei disso, não é, Desgovernador?

Sim, e o senhor deve ter visto o que a mídia mostrou, de modo absurdo, é claro! Para que ficássemos sabendo sobre a operação denominada ANTEROS, o senhor deve saber que esse nome é uma divindade grega que semeia a discórdia, o ódio, e prejudica a afinidade dos elementos. Agora, a sua pessoa deve estar pensando que estou falando da mídia, mas é a operação que o senhor está sendo investigado, viu? E a PF cumpriu buscas em imóveis seus e na Assembleia Legislativa, a casa dos fantasmas. Acho que agora o senhor está confuso, sem acreditar que estão fazendo todas essas denúncias e investigando a sua alma de chefe do Estado e dos “fantasminhas camaradas” em tantos inquéritos. Porém, não se preocupe, é só a mídia nos passando essa “sensação” de corrupto, inescrupuloso, bandido, chefe de quadrilha fantasma, ímprobo, trapaceiro, incorreto, desonesto, corrompível, indecoroso, desmoralisado, subornável…é só a sensação, viu? Está sentindo? Nós também, na pele e diante dos nossos olhos todos os dias.

Desgovernador, são 1500 homicídios até agora, desde janeiro! Em média são 187 assassinatos por mês, são 6 mortes por dia, o senhor, está acompanhando? 1500 homicídios. Estou aqui imaginando se a culpa é da Secretaria de segurança em divulgar esses números e querer nos passar essa “sensação” de um estado violento, será? Indubitavelmente, o senhor não está pensando assim, está? Mas, toda essa ciranda de roda de investigações também atinge o “peixinho”, não é? O senhor e o seu filho, que formam a dupla imbatível de beleza, os FARIAS, mas não fizeram nada! Já são investigados em inquéritos instaurados após as delações da Odebrecht, as quais apontam repasse de 350 mil para o senhor e 100 mil para o marido da herdeira do SBT, vulgo: Fábio Faria, deputado federal do RN, habitante da cidade de São Paulo, aquele que nada tem mais a ver com este estado, e só usufrui das regalias daqueles e, principalmente, daquelas que nele votaram, o seu filho, o filho do peixe, o peixinho!

Chegamos, excelente desgovernador, acho que encontrei o vocativo adequado, ao limite de nossa capacidade de desculpas e de espera. Queremos, exigimos, cobramos atitudes de um eleito Governador, não de um homem que se esconde, que se acovarda e que nada faz, publicamente, para mitigar (meus alunos vão gostar desse verbo) tantos problemas e acusações, tantas faltas e omissões, tantas mortes, tantas insatisfações. Se, agora, eu estivesse fazendo uma redação, este seria o momento da proposta de intervenção e creio que usaria a frase “urge, portanto, a necessidade de ações efetivas para coibir e amenizar o estado caótico de violência e insegurança o qual estamos vivendo, ou melhor, sobrevivendo.” Eu tiraria 200 pontos, só nesta competência, já o senhor, tiraria zero, por incompetência.

Todavia, não sou eu a governadora, não sou a solucionadora de problemas, mas sou a cidadã, a professora, a habitante de um estado que vive o seu momento de maior decepção, devido à omissão de um homem que tem o papel de assumir, de dirimir, de elucidar, de solucionar, ou quem sabe, pelo menos tentar, fazer com que voltemos a viver em um estado não de total segurança, porque há sim outros fatores que contribuem para isso, mas, há pessoas que podem contribuir para tal ação, há uma polícia pronta para agir, no entanto, não é tratada nem respeitada como deveria. Saiba que também, nós, que confiamos na ação daqueles que podem algo fazer, estão esperando a sua voz, a sua atitude, e nós, meros cidadãos, amedrontados com tanta violência, rogamos a Deus por proteção, mas saiba que a obrigação é sua, não Dele!
Sem mais,

Professora Séfora Cavalcante”

E você, o que achou? E se gostou veja aquele jornalista natalense que fez uma carta chocante para o jornalismo de Natal

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