Estatisticamente os vulcões do Rio Grande do Norte podem voltar a se manifestar

Vulcões são capazes de destruir cidades inteiras. A pouco mais de 10 anos atrás erupções vulcânicas provocaram vários desastres em países vizinhos do Brasil, como Peru, Colômbia e México.

Erupção do vulcão Colima, no México. Fonte: http://verdademundial.com.br

Sabe aqueles corpos que saltam no relevo em forma de cone como, por exemplo, o Pico do Cabugi? Pois é! Eles são rochas vulcânicas. E o Rio Grande do Norte possui vários destas rochas sendo estudadas desde o início do século passado, dentre os quais se destacam o Pico do Cabugi, Cabugizinho, as colinas da Serra Aguda, o Cabeço de João Félix e as Serras Pretas de Cerro-Corá, Bodó e São Tomé.

Mas as estruturas vulcânicas não se manifestaram apenas na forma de serras altas no RN. Elas também formaram planaltos criados justamente por derrames de lavas na região a sul de Macau e em Ipanguaçu (na Serra do Cuó/Luzeiro).

Pico do Cabugi, RN

Os corpos vulcânicos em forma de serras do RN são fissuras na terra formadas por rochas vulcânicas, os chamados condutos, que por sua vez foram formados por lavas provindas do interior do planeta Terra (o magma), certo?

Porém, graças ao fato do Rio Grande do Norte se encontrar dentro de uma placa tectônica, porção da camada sólida mais externa de um planeta rochoso, o estado apresenta poucos registros de atividade vulcânica na história.

Nos últimos anos foram obtidas diversas idades de rochas vulcânicas potiguares, através de projetos de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica da UFRN em parceria com a Universidade de Queensland da Austrália.

O resultado dessas pesquisas indicam que entre cerca de 130 e 6 milhões de anos atrás o Estado sofreu vários fenômenos vulcânicos, mas felizmente os testemunhos sobre ele referem-se a tipos extintos antes mesmo do surgimento dos seres humanos primitivos habitantes potiguares.

E essa tal volta aí?

Pico do Cabugi. Foto: Vlademir Alexandre. Via: Paisagens brasileiras – OpenBrasil.org

O maior destaque potiguar entre os corpos vulcânicos é o Pico do Cabugi. Seu relevo imponente possui rochas que foram formadas a temperaturas em torno de 1200-1100 graus celsius há mais de 25 milhões de anos, e as que se encontram ao redor do pico são bem mais velhas, com idades estimadas em 500 milhões de anos.

Existe a possibilidade das atividades vulcânicas no Rio Grande do Norte voltarem, principalmente pelo Cabugi. Porém, felizmente, de acordo com informações obtidas a partir das rochas vulcânicas no Estado do RN, provavelmente não houve atividades violentas e explosivas nele, e isso só se daria na escala do tempo geológico (milhões de anos).

O Pico vem sofrendo erosão, e por isso, se você quiser vislumbrar em segurança o seu conduto (local por onde passava o magma) é melhor fazer isso à certa distância. Não existe ainda infra-estrutura adequada para a prática do turismo neste local.

Fonte: Zorano S. de Souza (PPGG e DG da UFRN), Marcos Antonio L. do Nascimento (Terra & Mar Soluções), Hênio Santana de Paiva (Curso de Geologia da UFRN), Francisco Valdir Silveira (CPRM e PPGG-UFRN). Via: Deputado Mineiro.

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