10 coisas que os ladrões adoram nos carros

Muito se fala em Natal sobre os carros mais visados pelos ladrões, mas pouco se comenta sobre aqueles veículos que entre muitos nas ruas serão as primeiras opções deles.

Especialistas em roubos e furtos de carros, ao estudar os históricos deste tipo de crime, conseguem traçar quais características costumam deixar o carro menos “roubável”, digamos assim.

“Um dos objetivos dos roubos é a revenda dos carros; e o outro, muito mais comum, é a revenda de peças deles no mercado paralelo”, explica Luiz Pomarole, membro da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Veja a aqui as 10 características que os ladrões de carro mais gostam:

1ª Cores básicas (branco, preto, cinza…)

“Polícia recupera 11 carros roubados no RN” (Foto: Tribuna do Norte)

Os carros com cores mais chamativas são evitados pelos ladrões por dois motivos: é muito mais fácil localizar o carro depois do roubo; a procura no mercado paralelo é baixa, tanto porque é difícil revender (por serem carros que não agradam a todos os gostos), quanto pelo fato de as peças coloridas serem menos buscadas para reposição. Além disso, um carro de cor não chamativa ajuda-o a se misturar entre os demais carros na rua na hora do ladrão fazer uma fuga, por exemplo.

2ª Carros nacionais e de baixo valor

Foto divulgação de locadora

São carros que não chamam muita atenção, por isso, apesar do baixo preço, são modelos valorizados pelos ladrões. “O ladrão tem medo de ser notado na rua com um carro importado e/ou caro, porque é o tipo de carro que todo mundo olha. Além disso, estes carros costumam ter sistemas de segurança mais avançados, que dificultam o roubo”, esclarece Luiz.

E ainda, como os carros importados e de alto valor são menos populares, há menos procura por este tipo de carro para revenda e também uma menor demanda por peças de reposição.

3ª Carros populares

Foto: Lacaz Ruiz / A13

Os especialistas explicam que muitos roubos são resultados de encomendas.

Sendo assim, qualquer tipo de veículo pode ser um alvo, desde que o mercado paralelo tenha um comprador interessado. Porém, os modelos menos comuns, apesar de não serem totalmente protegidos destas encomendas, acabam sendo menos roubados que os populares por estarem em menor quantidade.

“O carro menos popular tem menos risco de ser alvo porque o criminoso rouba e furta para vender no desmanche. Por isso, ele vai pegar o carro que tenha comércio mais rotativo. Não adianta pegar um carro que as pessoas não estão usando”, explica o capitão da PM.

4ª Rodas caras e sofisticadas

Foto: Carros Dub

“As rodas são o principal alvo dos roubos hoje em dia porque são vendidas muito facilmente. Como não existe uma identificação da roda com o veículo roubado, muita gente acaba comprando as rodas em qualquer lugar sem saber se elas são fruto de um roubo”, diz o porta-voz da PM.

Como muitos roubos são motivados principalmente pelas rodas, os carros com rodas mais básicas acabam mais ignorados pelos ladrões do que os carros com rodas de liga leve, por exemplo. E ainda, se o objetivo for roubar um certo modelo de veículo e o ladrão encontrar dois carros do mesmo modelo, ele irá preferir aquele que tiver as rodas em melhores condições.

5ª Picapes e SUVs movidos a diesel

Boa parte dos modelos de picapes e SUVs são vendidos com duas opções de motores: movido a diesel ou a gasolina. Segundo Pomarole, os modelos movidos a gasolina são muito menos visados do que os movidos a diesel. “O motor diesel roda muito e, por isso, tem mais necessidade de reparos e a demanda por peças é mais alta. Por isso, nestas categorias, os carros movidos a gasolina são menos visados. A Pajero movida a gasolina, por exemplo, tem menor incidência de roubo”, afirma.

Ele também acrescenta que, como o motor a diesel costuma ser mais caro, ele também é muito buscado no mercado paralelo por compradores que buscam um preço mais acessível.

6ª Carros com acessórios externos

Foto: Educação Automotiva

“Os carros com acessórios externos têm sido preferidos por ladrões, justamente por deixarem à mostra itens que são visados por eles”, afirma Pomarole. Ele diz que alguns dos acessórios externos mais visados são os estribos (peça que fica na lateral do carro e serve como suporte para subir em carros altos) e os estepes, peças que são muito roubadas por terem alta demanda no mercado paralelo.

Os estepes, por exemplo, podem estar localizados tanto dentro quanto fora do veículo. Se o objetivo for apenas furtar a peça, carros com estepe interno são menos buscados por dificultarem a ação. E ainda, se o ladrão estiver na dúvida entre dois carros parecidos, o item à mostra pode servir como critério de desempate. “Entre um Fiat sem estepe e um modelo Adventure, que vem com estepe externo, o ladrão vai preferir o Adventure”, afirma Pomarole.

7ª Som que não é o de fábrica

Divulgação Magazine Luiza

Os rádios são um atrativo para os ladrões e muitas vezes são o objetivo principal do furto ou roubo. Segundo o porta-voz da PM, aparelhos de som de fábrica são menos vantajosos para os ladrões porque só servem para aquele modelo de carro. Em alguns casos, até param de funcionar quando desinstalados. “O criminoso já sabe que este tipo de rádio pode ser danificado se retirado do carro. E mesmo que não seja, eles também já sabem que os aparelhos de fábrica não têm tanto comércio quanto outros rádios que eles podem instalar em qualquer carro”, explica Moisés.

Ele também explica que os carros com rádios mais básicos são menos visados. “O criminoso está mais atento ao que é bom e o que não é. Quanto mais básico o aparelho, menos chamará a atenção. Aparelhos com DVD e GPS, por exemplo, têm sido bastante roubados”, diz o capitão.

8ª Travas automáticas

Foto: Mix Auto

Moisés explica que, apesar de existirem sistemas mais avançados, as travas manuais podem inibir a ação do ladrão ao serem avistadas. “As travas de volante e as travas de câmbio acabam criando um grau de dificuldade para a ação do criminoso e ele pode deixar de agir ao ver a trava. Não vai evitar 100%, mas vai dificultar o roubo”, diz.

Pomarole concorda que se o ladrão olhar a trava pelo vidro do carro, ele pode desistir de roubar o veículo, mas ressalta que este sistema de segurança pode ser altamente falível. “A trava não evita o roubo (quando a vítima está presente), apenas pode evitar o furto (quando a vítima está ausente). E nem sempre o motorista ativa a trava, às vezes ele esquece, ou não aciona porque logo vai voltar para o carro”, diz. Ele acrescenta que sistemas como rastreadores e localizadores, por exemplo, são mais eficientes porque não dependem do acionamento manual e ajudam o motorista a encontrar o veículo depois que o roubo foi consumado.

9ª Ausência de insulfilm (película)

Em um roubo, o uso do insulfilm pode evitar a aproximação do ladrão, uma vez que a película o impede de ver com clareza quem está dentro do carro. E no caso do furto pode dificultar a visualização de objetos deixados no interior do veículo que chamariam sua atenção.

No entanto, o item pode ser um tanto controverso: “Em um roubo, o ladrão pode preferir um carro sem insulfilm porque sabe quem está dentro do carro. Mas, ao mesmo tempo, em um furto, o ladrão pode preferir carros com insulfilm porque, ao fugir com o carro, ele ficará menos visível”, explica Pomarole. O insulfilm também não será eficaz no caso de um roubo programado, em que o ladrão já sabe quem é a sua vítima e, portanto, quem está dentro do carro.

10ª Carros equipados

Foto: rafcar.wordpress.com

Os carros básicos têm menos valor de revenda do que os mais equipados. Além disso, ao serem desmontados, terão peças mais baratas e menos acessórios do que os carros mais sofisticados. “Um painel atrativo, por exemplo, hoje em dia chama muito a atenção do ladrão quando o carro está estacionado em via pública”, explica o capitão Cleodato Moisés da PM de SP.

Os carros mais equipados muitas vezes também são roubados para que suas peças deixem os carros mais básicos da mesma linha mais equipados. É o que acontece, por exemplo, com modelos como o Renault Sandero, que já esteve na lista dos 10 carros mais roubados do Brasil. É um carro que tem muitas versões, então alguns motoristas compram o modelo mais básico e depois buscam acessórios e outras peças para deixá-lo mais equipado.

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Fonte: Priscila Yazbek para a Revista Exame

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