Como era a Praia dos Artistas em Natal na década de 70

A Praia dos Artistas, praia que divide popularidade com a famosa Praia do Meio em Natal, era um grande “point da moçada” em meados da década de 70 – e durante grande parte da década de 80.

Muito se especula porque esse trecho da praia recebeu o nome de “Praia dos Artistas”. Para uns deve-se ao fato desse recanto ter sido muito frequentado, no início da década de 70, por pessoas ligadas ao teatro, artes plásticas e música. Para outros, pela fama de hospedar grandes artistas quando visitavam Natal. O certo é que essa praia já marcou a vida de muita gente.

Na década de 70 haviam muitos barzinhos na orla, o calçadão era repleto de mesas, e na areia muita azaração. As barracas disputavam espaço entre si, a maior delas ficava logo abaixo do Salva Vidas, e era ponto de referência pra muitos encontros.

Durante o dia as “cocotas” desciam pra praia pra pegarem um bronze. Naquela época já havia muito bíquini pequeno e fio dental, e isso “incendiava” a cabeça dos marmanjos, que desciam para baterem uma pelada ou assistirem um jogo de vôlei. A noite era a hora da paquera, principalmente às sextas-feiras e sábados.

Existia também o tal do “Boy da Praia”, uma figurinha carimbada que andava perturbando as meninas – acompanhadas ou não – lhes pedindo cerveja e cigarros.

Na época, nessa mesma praia, o natalense já pegava as suas primeiras ondas no Surf na modalidade bodyboard, com suas pequenas pranchas de isopor, como já falamos aqui. Em 1974 os praticantes aprenderam a ficar de pé nas ondas usando pranchas maiores.

Na mesma época também aconteceu o Primeiro Campeonato de Surf do Rio Grande do Norte.

Os bares existentes eram: Katikero, Castanhola Bar, Chapéu de Couro, Reizinho Praia Chopp, Postinho, Bar do Bolívia (no pé da ladeira do sol), BANDERN Clube, Qualquer Coisa, Marulho e Casa Velha; esses quatro últimos nas praias vizinhas.

As bebidas? Muita caipirinha e cervejas das marcas Brahma e Antarctica. Para os mais “caretas”: Coca-cola e água de coco.

Para os mais farristas tinha a casa de shows “Casa da MPB” na praia ao lado (Praia do Meio), ou as boates mais badaladas da cidade, a O Chaplin (Praia dos Artistas) e a Apple (Ponta Negra).

Quem subisse mais a Av. Getúlio Vargas encontrava o Bar e Restaurante Liberté, mas era preciso ter bastante “bufunfa” (dinheiro) porque eram locais de gente “paluda” (rica).

Pra quem já tava cansado e faminto no fim da farra, o bacana era tomar um Caldo à Cavala lá na bar “A Tenda”, ao lado do famoso Hotel Reais Magos.

O fim da década de 80 foi também o fim da época áurea da praia. A maioria dos frequentadores, já na maturidade, foram se distanciando do lugar, cedendo espaço para a chegada da prostituição e o uso de drogas, principalmente com o crescimento do turismo internacional. Além disso, a falta de segurança afastava ainda mais as pessoas.

E você? Queria ter vivido ou viveu essa época? Comente aí embaixo como foi!

Fonte: poeta e escritor João Brito em Jabá com Jerimum (Blog de um Natalense), Rostand Medeiros @ TOK de História, Arilza Soares @ Vento Nordeste

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