Parece brincadeira, mas não é. Para qualquer pessoa leiga seria impossível que sapos conseguissem viver em lugares secos e quentes, afinal eles moram em lagoas, não é mesmo?

Não esses sapos aqui de Angicos, cidade a 170 km de Natal, que fica na caatinga do Rio Grande do Norte e é marcada pelo calor excessivo e pela seca.

Ao fim de uma tarde, depois de uma chuva fraca durante o dia, o casal Carlos Jared e Marta Maria Antoniazzi, pesquisadores do Instituto Butantan, presenciaram um fenômeno assustador: sapos começaram a brotar aos montes do chão. 

Sapo da espécie no movimento de auto enterramento — Foto: Carlos Jared/BBC

Eles estavam no meio de uma gravação de filme de terror sem saber? Não, não. Estavam presenciando o retorno desses animais que estavam enterrados com o objetivo de se salvarem do calor extremo que passava a cidade na época.

O fenômeno é conhecido por Estivação, e é semelhante à hibernação dos ursos e cobras, porém motivado pelas altas temperaturas do ambiente.

“Pode-se definir a Estivação como o estado de letargia em que esses animais entram em um longo sono, quando as condições climáticas se tornam muito secas e quentes.”, explica Jared.

O sapo que pratica a Estivação é o da espécie Pleurodema diploslister (na foto) — Foto: Carlos Jared/BBC

A Estivação dos sapos de Angicos é um mecanismo de defesa da espécie contra a desidratação durante períodos de seca intensa. Eles se enterram por quase dois metros ou procuram micro-habitats, isso porque lá embaixo a temperatura é mais baixa por causa da umidade.

Quando estivam, esses sapos reduzem suas atividades metabólicas por dois anos ou mais, dependendo da espécie. É a última alternativa, já que não há nem sinal de água por perto, coitados.

“A medida que se realiza a escavação, os animais vão sendo expostos e, independentemente da espécie, mostram-se inertes, envoltos por areia úmida, com postura fetal, sempre com os olhos fechados e os membros junto aos corpos”, diz o pesquisador.

O pesquisador Carlos Jared, do Butantan, que presenciou o fenômeno — Foto: Marta Antoniazzi/BBC

Mas isso não é algo exclusivo de Angicos. O fenômeno ocorre com vários anfíbios que vivem em desertos ou em outros ambientes com escassez de água.

Os profissionais estudam o fenômeno desde 1992, data dessa observação de Angicos, e depois desse fato levaram para a cidade potiguar fisiologistas paulistas que, muito entusiasmados, iniciaram vários trabalhos sobre a Estivação pela região.

E essa descoberta tem uma importante finalidade para a medicina atual, viu? “Se entendermos de que forma esses anfíbios regulam seu metabolismo e preservam suas capacidades musculares, podemos tentar transferir este conhecimento para aplicação médica e melhorar as condições de pacientes que permanecem por longos períodos imóveis sobre os leitos e, invariavelmente, estão sujeitos a atrofia muscular”, finalizou o pesquisador.

É parece que Angicos é a cidade dos sustos, já não bastasse o dia de “pavor” em que a cidade de Angicos (RN) confundiu um drone com um disco voador.

Fonte: G1/RN

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Escrito por Henrique Araujo

O criador e editor do Curiozzzo é formado em Sistemas de Informação, viciado em internet desde muito cedo, e encontrou na criação conteúdo para ela uma nova paixão. Criou este site em 2014 para levar o Rio Grande do Norte (onde vive desde criança) para o mundo de uma forma criativa e diferenciada. Siga-o: instagram.com/henrique.e.araujo

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